Pesquisa Comparativa COVID-19

Notas Técnicas da Pesquisa COVID-19

Metodologias e construção dos índices utilizados na pesquisa comparativa sobre as ações governamentais durante a pandemia

Notas Técnicas

As notas técnicas sintetizam a metodologia do QCA e a utilizada para a construção dos índices que foram criados no âmbito da pesquisa: o Índice de Ações Governamentais (IAG), que é o fenômeno que se quer explicar, e os índices referentes aos fatores explicativos do IAG: Índice de Bem-Estar (IBE), Índice de Sistema de Saúde (ISS) e Adesão às Recomendações da OMS. Para maiores detalhes, ver o relatório disponível neste site. Para informações sobre os dois outros índices que foram utilizados como fatores explicativos, ver: para o IDH: A metodologia de cálculo do IDH sofre alterações periódicas; para maiores informações ver os Relatórios do Desenvolvimento Humano publicados anualmente pelo PNUD. Para o DEM: https://www.economist.com/interactive/democracy-index.

Índices Construídos

Quatro índices principais foram desenvolvidos para capturar as dimensões centrais da pesquisa:

IAG

Classificação das ações governamentais de enfrentamento à pandemia

Fontes: OxCGRT Tracker, FMI Fiscal Monitor
Período: 2020-2021
Escala: 0 a 1 (média RG, PV, GARF Saúde)
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ISS

Classificação dos sistemas de saúde por sua realização efetiva

Dimensões: Investimento público, Gasto público, Qualidade
Período: 2015-2019
Escala: 0 a 1 (realização efetiva)
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IBS

Capacidade estatal para prover proteção social

Método: Análise de Componentes Principais
Base: 11 estudos, 13 classificações
Escala: 0 a 1 (proteção social estatal)
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QCA

Método analítico para estudos comparativos configuracionais

Tipo: Método configuracional
Função: Análise multicausal
Aplicação: Conjuntos difusos
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IAG - Índice de Ação Governamental

Classificação das ações governamentais de enfrentamento à pandemia

Forma de construção do IAG

Para classificar e ordenar as ações governamentais dos países no enfrentamento à crise pandêmica foram utilizados os dados do Tracker OxCGRT e Fiscal Monitor do FMI para que as informações fossem comparáveis, consistentes e cobrissem o período de pico da pandemia, 2020 e 2021.

O IAG ancora a classificação de cada país no Índice RG – formado pelos índices Contenção (C), Saúde (S) e Suporte Econômico (SE) – e no Índice Políticas de Vacina (PV), todos do Tracker OxCGRT, bem como nos gastos adicionais ou renúncia fiscal dos governos nacionais em saúde per capita (GARF Saúde) do Fiscal Monitor do FMI.

O IAG é um índice de 0 a 1 calculado pela média do Índice RG, do Índice PV e do GARF Saúde per capita, cada um deles calculados em índices de 0 a 1.

Quanto mais alto for o valor do IAG, mais completas foram as ações de governo adotadas naquele país. O índice foi desenvolvido para comparar as ações governamentais dos 14 países analisados. Assim, o valor '0' não indica que o governo nacional do país não implementou ações e o valor '1' não quer dizer que o governo foi perfeito em suas ações, mas apenas que ele está no topo em relação aos demais casos selecionados na amostra.

ISS - Índice dos Sistemas de Saúde

Classificação dos sistemas de saúde por sua realização efetiva

Forma de construção do ISS

As dimensões consideradas para classificar e ordenar os sistemas de saúde não se referem às características formais desses sistemas, mas à sua realização efetiva, partindo do pressuposto de que um sistema mais inclusivo, ou com maior grau relativo de cobertura pelo financiamento público, com maior gasto público e melhor qualidade, seria mais favorável para o enfrentamento mais efetivo da pandemia. O índice é formado a partir de três dimensões e vários indicadores, conforme sintetizado no quadro abaixo:

Dimensões, indicadores, mensuração e fontes

DimensõesIndicadoresForma de mensuração e classificaçãoFontes
Grau de investimento público em saúde, vis a vis o gasto das famílias (2019).Combinação de: i) % do gasto público em relação ao gasto total em saúde; e ii) % de desembolso direto em relação ao gasto total em saúde.i) investimento público relativo muito restrito: gasto público menor do que 60% e desembolso direto maior do que 25%; ii) investimento público relativo restrito: gasto público maior do que 60% e desembolso direto maior do que 25%; iii) investimento público relativo alto: gasto público maior do que 60% e desembolso direto menor do que 25%.World Bank (2024).
Despesas domésticas do governo geral com saúde (per capita, PPC) (2019).Gasto público per capita em saúde em US$.Cálculo de índices que variam de 0-1, sendo 1 o melhor valor.World Bank (2024).
Qualidade da atenção à saúde (média do período 2015-2019).i) Mortalidade materna por 100.000 n.v.; ii) Mortalidade neonatal por 1.000 n.v.; iii) Cobertura vacinal (7 tipos de vacinas); iv) Proporção de mortes por causas mal definidas e ignoradas; v) Cobertura da atenção pré-natal (mínimo de 4 consultas).Cálculo de índices para cada um dos indicadores e, a partir deles, cálculo de um índice agregado pela média dos 5 indicadores.OMS (2024).

IBS - Índice de Bem-Estar Social

Capacidade estatal para prover proteção social

Forma de construção do IBS

O Índice de Bem-Estar Social (IBS) é um indicador sintético que classifica 14 dos 20 países latino-americanos quanto à capacidade estatal para prover proteção social aos seus cidadãos antes da pandemia da COVID-19. A técnica utilizada para sua construção é a de Análise de Componentes Principais (ACP).

Para a análise foram selecionados 18 estudos sobre os regimes de bem-estar da América Latina que trazem classificações dos países em diferentes tipologias. Esses estudos variam segundo ao universo empírico e período analisados e a metodologia mobilizada para a comparação das provisões garantidas pelo Estado, de forma exclusiva ou junto com as oriundas do mercado e das famílias.

Para a construção do índice, foram selecionados apenas 11 estudos que têm como foco as provisões garantidas pelos Estado, isto é, as políticas sociais, e propõem 13 classificações dos países. O argumento que sustenta a construção é o de que o critério básico de classificação – o desempenho dos países em indicadores quantitativos – permite captar, mediante a técnica mobilizada, o consenso construído na área sobre a natureza da proteção social estatal garantida nos países latino americanos selecionados.

A construção do IBS foi feita em quatro etapas:

  1. 1mapeamento da classificação dada aos países nas diferentes tipologias;
  2. 2tradução dos tipos em valores numéricos ordinais, conforme o desempenho denotado na classificação categórica;
  3. 3realização dos testes e análises requeridos pela técnica ACP;
  4. 4cálculo do índice.

O IBS deve ser interpretado da seguinte forma: a escala varia de 0 a 1, e quanto maior for seu valor, maior é a proteção social ofertada pelo Estado naquele país. Outro ponto importante é registrar que o índice indica a posição relativa de cada um dos 14 países selecionados para a pesquisa no ranking, e se presta apenas a esse fim.

QCA - Qualitative Comparative Analysis

Método analítico para estudos comparativos configuracionais

Metodologia QCA

A metodologia do QCA segue os seguintes passos:

  1. Calibração: transformar os indicadores (valores originais) em conjuntos difusos (valores de 0 a 1), tornando-os operacionalizáveis por QCA. Essa calibração precisa estabelecer os limiares superior, inferior e o intermediário. O limite superior indica o pertencimento total ao conjunto (que receberá valor 1,00), o inferior o não pertencimento total (0,00) e o intermediário (que recebe valor 0,50). No caso do IAG foi estabelecido o limiar intermediário em 0,6.
  2. Análise de condições necessárias. Uma condição é considerada necessária quando: sempre que Y (outcome) estiver presente, X (condição) está presente (X≤Y). Para identificar se uma condição é necessária, usou-se a medida de consistência (incIN), com o limite de 0,9.
  3. Observação da medida RoN – Relevance of Necessity avalia o quão relevante é uma condição necessária, ou seja, se além de ser tecnicamente necessária (com alta consistência), ela também contribui substancialmente para a explicação do resultado. A medida varia de 0 a 1 (assim como a consistência) e, quanto mais próximo de 1, mais relevante é a condição para explicar o resultado.
  4. Análise de condições suficientes. Uma condição é considerada suficiente quando X (condição) estiver presente e Y (outcome) também estiver presente (X⇒Y). Ou seja, basta observarmos X e também Y no mesmo caso para interpretar que X é suficiente para Y. Ou, de outra forma, que X implicou Y num dado caso.
  5. Construção da tabela da verdade para obter resultados de análise de configurações suficientes. Ela consiste em agrupar os casos de acordo com o pertencimento ao resultado de interesse, considerando todas as combinações possíveis entre as condições causais arroladas no modelo, e identificar os remanescentes lógicos (configurações para as quais não existem casos). Identificar o output, como medida binária que indica se uma configuração é suficiente para o resultado de interesse – no caso, ações de governo satisfatórias.
  6. Minimização lógica ou minimização booleana. Esse processo busca encontrar, a partir do contraste entre as diferentes configurações que levaram ao outcome, as soluções mais simples e livres de redundâncias possíveis, conhecidas como implicantes primários. O processo é repetido várias vezes até excluir todos os implicantes primários.

Visualize os dados

Explore como estes índices foram utilizados na análise comparativa dos países